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no ano x + 10

No ano x , y foi até a rua w e comprou uma pistola calibre progresso. No ano x + 10, y chegou em sua casa e desfechou tiros contra o corpo. Depois de morto, y foi aludido num telejornal. Neste, seu suicídio não simbolizava nada. Apenas mais um morrera. No entanto, o silêncio, dissimulado através da indiferença, dominou de tal maneira os espectadores, que seus corações falaram uma linguagem de mistério coletivo. Y talvez fosse a liberdade? a desmassificação? O homem que se inventa? A mulher que se desmasculiniza? O jogo de gays nos jardins de caminhos que se bifurcam entre gostar de homem e mulher? As multinacionais das rebeliões do sul e do Oriente Médio, com seus fundamentalismos de comunismos, de operaísmos, de chavismos, negrismos, indianismos, tribalismos, software de livres ismos, de teias de balanço nas veias abertas das redes de pluralismos, tomando a Bastilha dos endinherados fundamentalismos, acovardados em abstracionismos, exibicionismos de retardonarcisis

FELICIDADE

eu sou a felicidade, a alegria, um outro mundo, não este aqui. sou o encontro do e no desencontro, nada disto: família nela mesma, marido e mulher por eles mesmos, o rico feliz de seu estado de ilha, repleto de companhias puxa-sacas, os responsáveis diretos pela miséria deste mundo aqui, sou o contentamento, o banquete pra todos, uma outra humanidade, em que não sejamos nós-mesmos, humanos, apenas, e em que a promessa, a promessa pros joãos, pras marias, a promessa nos pedros e nas joaquinas, a promessa libidinada em cada olho deste planeta aqui, seja repartida, seja tomada, seja espalhada, não a partir, mas seja nossa, de cada qual e de todos cada, e que a felicidade, quando realizada, no amor, no encontro, na amizade, na fala, na audição, no tato, no sabor, na imaginação, neste poema, a felicidade seja a mais particular, a mais eu, a mais singular, por ser a mais pública, a mais não-eu, a mais total. eu preparo um poema da bomba atômica: a fissura plutônica dos núcle

talvez

talvez fosse em algum lugar remoto, talvez não. agora era pra dizer que seu logos espermatikos, agostiniano, possibilitava falar babelmente. E já não era uma fala de sentenças, sintagmas congelados, vozes audíveis, inteligíveis. Era o sentido dos sentidos, singular pluralizado. A proposição de que cada palavra instaura a loucura de seu fragmento e de sua totalidade, como corpo, como se fizesse a imagem-corpo do corpo de si, de sua fala falante de flores espinhos do mundo. alguma palavra muda falante que dissesse de si, e de todas as coisas possíveis e impossíveis. palavra implosão, explodindo na ponta da língua de sua sonoridade gutural, saída do vazio da voz, no lugar onde o nome próprio já não é, de tanto ser e não ser. um nome próprio impróprio que fosse a encarnação de todos os nomes próprios impróprios existentes, existidos, por existir. um passado, presente, futuro, no em si de seu não si. palavra cursiva no curso urso de seu uso só, pescando peixes nos frios rios precipitad

bons e maus selvagens

Cenário: tinha um rio, campinas, morros, montanhas, ouro, diamantes, além de florestas a perder de vista, densas como um sonho. Dorotéia também tinha. Doroteu também. Este é um pastor forte, compenetrado, calmo como um budista; aquela, sua musa inspiradora, mas que não se contentava ficar ou ser apenas musa, pois também pastoreava. Onde mesmo? Numa natureza exuberante,o paraíso perdido, agora achado, e o casal Dorotéia e Doroteu no seu centro e na sua periferia: em Vila Rica, Minas Gerais, Brasil. Deviam estar felizes, mas não. Nada. Tudo conforme o Arcadismo: uma verdadeira Arca de Noé. O bicho-macaco, o bicho-onça, o bicho-tamanduá, o bicho-preguiça, o bicho-lobo-guará, o bicho-minhoca, uma quantidade indefinida de bichos já nomeados, e um tanto de indefinidos outros ainda não nomeados, juntamente com uma flora diversificada, com ipês amarelos, roxos, azuis, vermelhos, verdes; com mangueiras, laranjeiras, jatobás, e flores : margaridas, rosas, girassóis, flor-de-lótus, cri

poçossssso

Farsa 1 farsa, sou um farsante, in-des-culpável, um farsante, um enganador, mais que um fingidor, em tudo, um professor farsante um marido farsante um amante farsante um homem farsante e ainda um farsante homem por traz e pela frente farsante 2 Sou um poeta farsante um escritor farsante um filho farsante um amigo farsante um sonhador farsante um pai farsante um cara bom, sou, mas farsante 3

verbiocolazarcegal

verbiocolazarcegal depois antes eu o bom, eu o justo eu o legal eu o faço o que poço/posso, nado, nado, nado, nada; eu o solidário eu escritas e reescritas sobre eu folha épica faca fálica beirada lâmina vaginal cortante eu o discurso o curso eu o crítico eu o dedo em riste eu o moralista eu o filisteu eu o certo eu o genial eu o coerente eu o diferente eu o indiferente eu o simples complicado complexo eu o poeta do século, o pedante o pernóstico,o pretensioso, o da falta de rigor qual mesmo? eu olho como me visto eu o agrário deserdado do campo despedido e nem isso o agrário descampado agora operário impedido de entrar na fábrica o desempregado ancorado no analfabetismo das alfabetizadas maneiras de compor gêneros compor tipos compor óculos compor miopias compor gestos compor falas compor olhares compor o tipo sim o livro tal sim o livro de fulano de sicrano já leu eu o tipo o escorpião encalacrado sobre o cortázar do lezama lima eu o farsante eu depois eu comecei dar aulas particu

Cruzeiro do Sul क्रुज़इरो दो सुल

Depois de ter ouvido, numa aula, de um professor, que em cada palavra mora este monstro, um estereótipo, Joana sabia, de um saber do não saber, seu novo saber, que o monstro do estereótipo podia ser também os narcísicos estereótipos, ou os estereótipos narcísicos de ter a pretensão de não ser estereótipo de liberdade, de igualdade, de disponibilidade, no estereótipo dos tipos do orgulho, no estereótipo dos tipos típicos dos picos, que escondem seus penicos, esperando, no pinico, que os estereotipados povos das planícies, do Cruzeiro do Sul,os endeusem Joana era uma menina negra muito corajosa e inteligente. Estudiosa, e curiosa, e talentosa, e maravilhosa, e alegrosa, e muitas outras palavras em osas, como valorosa, valor e rosa, ela estava vindo da escola, e estudava à noite, e trabalhava de dia, e então, de repente, uma forte chuva começou a cair, relâmpagos e trovões cortavam o céu, parecia um dilúvio, chegando sem avisar, já que há um segundo atrás Joana tinha olhado pro céu

बuscar ओ फोर

buscar a imagem errada, a errata, o lapso, o exato tropeço no furo das xoxotas dos tempos das lajotas: errâncias de ruas, distâncias, e, entre o desejante e o desejado, por desleixo, idiossincrasia, buscar o que não seja hipocrisia, a missa dos rituais da evidência do dado, o determinismo do pronto e acabado, buscar o não buscar o leite nas tetas do medíocre deleite das mesquinharias amorfas das formas fôrmas, conformadas pela busca homericamente cegóide do inconsciente dos pilantras genocidóides, normótopas que temos sido, buscar simplesmente o simples, os timbres que as mãos podem alcançar sem precisar de dinheiro, pra comprar, pele víscera e paladar o crível do incrível o mais que perto, o longe o ali da lâmpada de aladim, o fora, de tão aqui, o não ao sim aos muros entre a palestina e israel o fora do muro dentro de mim, ao léu, o fora do inferno ou do céu dos muros, o fora do céu do muro seu entre o muro meu o fora dos muros dos condomínios, dominó dos domínios, a lançar míss

sistema de cotas e o medo do lupen do operariado

Começo dizendo que não escrevo este artigo como Professor da Universidade Federal do Espírito Santo, embora essa condição seja inevitável. Por conseqüência, os argumentos que tecerei não têm a pretensão de representar nem a instituição em que trabalho, nem ao Departamento de Línguas e Letras, do qual estou chefe, atualmente. Simplesmente quero dar meu testemunho de pai de uma criança, com 12 anos de idade, e que desde o pré-escolar estudou na Rede Pública de Ensino. Afirmo antes de tudo que minha decisão foi e é Política, e Política com P maiúsculo, porque não está assentada na pequena política de defender os interesses da família, de filhas, filhos, mãe, pai, esposa, esposo; ou, ainda, nessas outras pequenas políticas ligadas igualmente à perspectiva de lutar para garantir condições mais favoráveis aos próximos étnicos, de gênero; e falo simplesmente, nesse caso, das cotas para negros, índios, homossexuais, com as quais, de antemão, concordo, embora pense que também elas, por mais leg
UTOPIA no nada do nada deste nada, o rico é nuvem de nadas e tem nadadeiras de ventanias a compor o concerto das formas de vozes, de caras, de risos, de trapaças, de gestos e de requintes de andar e de falar, de vestir e de fingir , suas poliglotas ilhotas, de modos de ficar em si, em volta das revoltas soltas, as que trazem e comprazem e refazem a memória viva da nave louca de haver ovo, de haver polvo, de existir planetas, estrelas, asteróides, cometas, lunetas, sonetos, rãs, peixes, cobras, pássaros, matas, morte, norte, e a menina agora que agoura o rico como inversão de seu platonismo de cinismo, com seus sonhos africanos de tribos, de festas, pois sua religiosidade de antigas novidades, de totens sem tabus, em metamorfoses de bichogentes ou de fitogentes ou de orelhas que olham, de olhos que provam, de músicas que riem, ou de abraços que, sendo na mãe, já é no pai, que já é na árvore, que já é no primeiro último antepassado javalítico, na nítida lítica pedra paleoneolítica, a m
Luís Eustáquio Soares, em Ouro Preto - MG.

Atentado à liberdade de expressão

Por Luís Eustáquio Soares em 31/7/2007 Movi uma representação contra a Rede Globo de Televisão, acusando-a de atentar contra a liberdade de expressão, posto que unidimensiona um viés ideológico, tendo pelo menos 65% da audiência nacional. Também a acuso de alguns crimes fiscais. Entreguei essa representação ao Ministério Público Federal do Espírito Santo, o qual, por sua vez, enviou-a ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, por ser o local-sede da Rede Globo. Infelizmente, acabo de receber uma correspondência do Ministério Público do Rio de Janeiro dizendo que arquivava a representação, alegando que meus argumentos não levavam em conta a legítima liberdade de expressão da Rede Globo, porque constitucional. Na verdade, o tempo todo, na representação, procurei demonstrar que o problema não era o constitucional direito de expressão da Rede Globo, mas a sua evidente parcialidade em diversos tópicos, no contexto em que se apresenta como "voz pública", em função de seu al

Rabisco

amor é algo em que se é indistinto e distingo os traços aços do seu rabisco e você me apresenta sem se apresentar sua poesia, seu eros da distância, seu eros da proximidade, e vejo borboletas entrelaçadas no ar, saltando, e são pássaros, e são insetos, e são folhas, e são gentes, e são seu tesão em vinho transfigurado nos sonhos que vejo, que desejo, que toco, que retoco, que ouço, que remoço, que degusto, que te gusto, que cheiro, que recheio, e você é minha extensão, os tatos atos de meus sentidos, e a saudade não tem idade, parece muito antes de mim, como se antes do ovo, antes do óvulo, do esperma, do gozo, algo-ouro-diamante-música-alegria-utopia-ressurreição-feto-paraíso-já e, antes de nascer, de escrever, de ser texto, de existir o mundo, antes/depois de Deus, no remotíssimo agora de não tê-la tendo, na tela-pintura de pintar-nos, a dois, a um, a mil, imagens em estrelas de nos darmos, de sermos dados, acaso do caso de um lance de dados e você não abolirá o acaso absoluto de fin

Difícil e fácil

1 Fugados fungando fungidos fodidos fugidos fingidos não sei se existe e se insiste e se persiste e se consiste e se resiste e se desiste e se acaricia a face de sua língua com minha língua desfacelada, molhada, transpira, respira, delira na lira da ira cantada no registro verboso desse gesto, olhar, falar, na dicção modulada desse ritmo existente afeminado feminino homoheterossexual e um lado esquerdo de veste vertebrada da folha entre muitas de uma fronde frondosa das gentes mulheres dessa mata vaginal no púlpito altar da terra púbica, brejenta, os sapos coaxam e uma perereca de detalhe retalha metralha talha tralha na ínfima fímbria desse verde ponto-fêmea me lembra o artifício artificioso cioso de sua arte em pincelar o infinito da beleza alegre agromultigeotemporal faminta coloreando a íris o belo a pálpebra os olhos os óculos o nariz as narinas as maçãs as orelhas os aos lábios os dentes a língua a garganta as cordas vocais o esôfago o estômago o intestino delicado na corrente sa